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Imóvel financiado entra na herança?

Uma dúvida muito comum após o falecimento de um familiar é: o imóvel financiado faz parte da herança ou pertence ao banco até a quitação total da dívida?


A resposta é: sim, o imóvel financiado entra na herança. Mas os herdeiros recebem não apenas os direitos sobre o bem, e sim toda a posição que o falecido ocupava no contrato — inclusive as obrigações.


Um imóvel financiado também pode ser herdado. Entenda o que acontece com o financiamento                               e quais são os direitos dos herdeiros.
Um imóvel financiado também pode ser herdado. Entenda o que acontece com o financiamento e quais são os direitos dos herdeiros.

O que acontece quando o proprietário falece?


Pelo Código Civil, a herança é transmitida automaticamente aos herdeiros no momento da morte (é o chamado princípio da saisine, previsto no art. 1.784). Isso significa que todos os bens, direitos e obrigações do falecido passam a integrar o patrimônio hereditário: o espólio.


No caso de um imóvel financiado, é preciso entender uma particularidade: na modalidade mais comum hoje, a alienação fiduciária, o comprador não é ainda o dono pleno do imóvel enquanto a dívida não é quitada; a propriedade fica em nome do banco, como garantia. O que o falecido tinha, portanto, eram os direitos sobre esse contrato (a posse e o direito de, pagando o saldo, tornar-se proprietário pleno). É exatamente essa posição, direitos e obrigações juntos, que passa aos herdeiros.


Na prática, o efeito para a família costuma ser o mesmo de que fala o senso comum: o imóvel entra no inventário, e os herdeiros herdam tanto o que já foi pago quanto a dívida que resta.


Os herdeiros precisam continuar pagando as parcelas?


Em regra, sim.


O financiamento não se extingue automaticamente com o falecimento do comprador. Os herdeiros podem optar por manter o imóvel e continuar quitando as parcelas, observadas as condições do contrato e as exigências da instituição financeira.


Contudo, pode existir uma exceção muito importante.


E se houver seguro habitacional?


A maioria dos financiamentos imobiliários possui um seguro obrigatório, conhecido como MIP (Morte e Invalidez Permanente) destinado justamente a situações como essa.


Esse seguro pode quitar total ou parcialmente o saldo devedor existente na data do falecimento, dependendo das condições contratadas e da composição de renda utilizada na obtenção do financiamento.


Por isso, antes de qualquer decisão, é fundamental verificar a existência do seguro e solicitar formalmente à instituição financeira a análise da cobertura.


Os herdeiros podem perder o imóvel por causa da dívida?


Se as parcelas deixarem de ser pagas, a instituição financeira pode adotar as medidas previstas no contrato e na legislação aplicável. Nos contratos de alienação fiduciária, o credor tem mecanismos específicos e mais ágeis para retomar o imóvel em caso de inadimplência, se comparado a um financiamento com hipoteca comum.


Por isso, é importante que a situação seja analisada logo após o falecimento, evitando o acúmulo de parcelas em atraso.


Vale lembrar ainda que, segundo entendimento do STJ, os herdeiros respondem pelas dívidas do falecido apenas até o limite do valor que receberam em herança (art. 1.997 do Código Civil), a dívida do financiamento não pode, portanto, ultrapassar o patrimônio herdado nem atingir bens pessoais dos herdeiros.


O imóvel financiado pode ser vendido durante o inventário?


Em muitos casos isso é possível. Dependendo da situação, os herdeiros podem vender o imóvel, quitar o saldo devedor com parte do valor da venda e dividir o saldo remanescente entre os sucessores. Essa operação exige cuidados jurídicos e, frequentemente, a participação direta da instituição financeira.



O fato de um imóvel ainda estar sendo financiado não impede que ele integre a herança. Em regra, os herdeiros recebem os direitos sobre o bem e também assumem as obrigações vinculadas ao financiamento, sempre dentro dos limites do patrimônio herdado.


Por isso, quando há um imóvel financiado no inventário, é essencial analisar com cuidado o contrato, verificar a existência de seguro habitacional e avaliar as alternativas mais vantajosas para a família. Uma orientação jurídica adequada evita prejuízos e facilita a regularização da sucessão.

Busque sempre esclarecimentos de um especialista da sua confiança.

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